Quando João viu a Maria...

Explicar o desejo transbordando do olhar é complicado, ainda mais se seus olhos cor de mel estiverem virados na minha direção, conter o calor que emana do corpo ao mirar as curvas delicadas e o sorriso perverso é doloroso e ouso dizer que seja impossível. Pois a dona de todo o desejo tomou a mente, poluiu os mais singelos pensamentos durante a dança de seu andar em direção a mim. Estúpida escrita que não transmite com precisão o sentimento, que não acompanha o pensamento. E agora que mesmo com meus olhos fechados não consigo transcrever para o papel a turbulência da sua aparição, e foi isso, exatamente e somente isso, uma aparição. Não pode ser real ou explicável que tal mulher exista. Cabelo negro como a própria noite, pele bronzeada e quente esculpida pelo fogo, com a voz da morte saindo dos lábios doces e vermelhos de tão cruel anjo. Fecho os olhos e me vem uma onda de medo misturada com desejo. Mais desejo que medo, mais medo que realidade, digo que são fantasias da mente de um escritor louco e frustrado, mas ainda posso tocar a marca dos dedos dela em meus pulsos, a pressão da sua voz me mandando ir embora. Por que ? Volta anjo da morte, volta e devora a minha vida, mas imploro que me tenha com os olhos abertos para que possa me perder dentro deste furacão de desejo.

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