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- Vocês pegaram a garota errada!!!
Tudo o que parecia sair daquela boca descarnada além de sangue era esse lamento.
O interrogador seguia inquieto, com um sorriso estampado no rosto. Era inegável o prazer que ele retirava de casa seção, os outros expectadores se mostravam um tanto desconfortáveis mediante as técnicas do primeiro, mas ninguém em momento algum parecia disposto a interceder pela jovem de olhos azuis manchados pelo sangue das lágrimas...
Estavam todos entretidos demais no espetáculo, não se faziam notar entre si.
O último expectador no canto direito oi pego numa súbita necessidade de respirar, uma onda negra como a própria morta rodeava seu rosto, abafando seus gritos e entrando no seu corpo pela boca que inutilmente procurava respirar, acelerando o afogamento silencioso pela própria escuridão.
Enquanto sem notar o sofrimento do parceiro e sem notar nada pelo visto na sala o segundo tem sua cabeça arrancada por braços negros e seus olhos antes da morte final captam o próprio coração sendo removido do corpo e esfarelado pela mesma criatura.
- Não, eles vão se comportar, por favor, não!
Nosso profissional da tortura tem um espasmo de êxtase ao escutar os lamentos doloridos da garota, seus olhos refletem o prazer de quebrar a vontade de alguém. Pena que antes de poder entender tudo a garota, aquela que nesse mesmo segundo estava chorando e sofrendo, acorrentada na parede surge diante de seus olhos, com as presas a mostra e os olhos malignos embalada num monstro de sombras que aparentemente não gosta muito dele, lamentável.
Ela está andando, escorregando os dedos da mão esquerda no corrimão da escada, enquanto que com a mão direita ela traça a rota do cigarro aos lábios. A frente e as costas uma multidão que parece se afastar com o seu balançar de quadris, o perfume que deixa no ar misturado ao cheiro do cigarro e os feromônios exalados do seu corpo causam distúrbios e múltiplas pertubações, mas nada abala seu caminho, nada balança naquela alma, a não ser os seu cachos embalados pela dança do vento.
E ela percorre o caminho sem medo de errar, independente e consciente de todas as catástrofes causadas pela sua tão perturbadora presença.
As sirenes e as luzes sujavam a beleza do momento.
Três corpos jaziam a beira da estrada, enquanto repórteres e policiais corriam loucos de um lado para o outro.
Alguns minutos antes, do outro lado da pista uma mãe e seu filho atravessavam na faixa de perdestes e um carro em alta velocidade avançou o sinal. A mãe tentou amparar o impacto com o próprio corpo.
Algumas horas antes, um pai recebeu o telefonema de seu filho adolescente que estava na balada.
O carro, um modelo preto, com motor envenenado, vinha fugindo de uma blitz. O motorista olhava desesperado pelo retrovisor, a preocupação no momento era perder a carteira e ter o caso preso, quando sentiu um baque contra o carro, veio a sensação de ser pego por um quebra mola de surpresa.
A mãe vinha brigando com filho por que há pouco tempo corria e quase foi pego por um carro. Ele esperneava e chorava preso pelo braço nas garras da mãe. No meio do sermão ela percebe que o carro não vai parar no sinal e, sem ter como voltar, ela dá as costas para o carro e abraça o filho com todo o corpo.
O pai, raivoso, sai de casa pela manhã para pegar o filho, que está fora de si, depois de mais uma noite de farra. Apos uma viagem de uma hora em um ônibus lotado com um monte de trabalhadores indo cumprir sua jornada de trabalho (afinal é segunda-feira), chega para mais uma dolorosa discussão com o filho único.
O carro está parado agora. No chão está a mãe desacordada, a criança voou a uma grande distância, a cabeça apoiada no meio fio e uma poça de sangue molhando seus lindos cachos castanhos.
O pai tenta tomar a chave do carro do filho, afinal ele não tem a mínima condição de dirigir. Está bêbado e com um aspecto demente que suspeita ser consumo de algo além das cervejas, mais meia hora de briga acirrada.
A mãe desperta, como se acordasse de um sonho ruim, com o tórax perfurado e sangrando o uniforme, provavelmente do trabalho. Ao redor, uma viatura de policia com as luzes fortes ligadas e os guardas falando agitados pelo rádio. Ela cambaleia como a procura de algo e nos lábios, um nome engasgado com o sangue que escorre sem parar pela boca, acompanhando o ritmo do que sai pelo ouvido e por outras partes do corpo.
O policial percebe a mulher se agitando, andando em direção a ele, aperta o radio com força, o coração apertado e pede urgência na ambulância. Ele lança a mulher um olhar de pena e despedida e caminha até ela.
A mãe pede pelo filho, mas aquele homem fardado parece que não compreende a urgência dela. Onde está seu bebê, porque ele não a larga, ela só quer seu bebê! O que esse amontoado de pessoas quer olhando para ela? Com que direito lançam aqueles olhares?
Se esperneando, cambaleia através da pista até avistar um borrão vermelho um pouco afastado. Uma dor sem fim corta sua carne bem na altura do estomago, um vazio como se tivesse perdido um membro importante do corpo. As pernas parecem entender seu desespero e aceitam o comando de correr até o borrão.
No chão, o corpo pequeno, franzino, arranhado, pálido, com os cachos molhados e olhos fechados como que sonhando.
O policial se ajoelha ao lado da mãe, que embala freneticamente o filho, com os olhos fechados e cantando uma canção de ninar. O sangue dos dois, misturados e unidos como quando ele se desenvolvia dentro dela, protegido dos males do mundo. Ela o aninha no blazer rasgado que veste e o acomoda nessa manta improvisada no chão, apos cavar no canteiro da pista uma espécie de ninho.
A mãe com o olhar perdido pede ao policial para ver ele.
O pai desistiu da briga, o garoto estava impossível.
A mãe com uma voz calma, uma postura firme e como se nada tivesse acabado de acontecer, pede ao policial para falar com o motorista. Ela precisa saber o por que!
O policial olhando nos olhos mortos da mãe, acompanha sem pensar a mulher até o carro, onde estão detidos os dois homens. Seu pensamento está em casa, na sua filha de 5 anos, pouco menor que esse garotinho que dorme no ninho que a mãe forjou no canteiro da pista. Sua pequena princesa, que lhe deu um beijo de bom dia e disse aos sussurros que amava antes dele sair para trabalhar.
O motorista está com os olhos vidrados, na sua cabeça tenta reviver o que aconteceu. Ele não percebeu, ele não viu, e repete milhões de vezes, em silêncio ao lado do pai, que não teve culpa.
Com o olhar na pista, percebe a mulher, acompanhada do policial, caminhar até a viatura.
O pai, perdendo a paciência, perdeu também a razão. Entrou no carro deixando o filho dirigir. Olhou para o filho sentado ao seu lado, pensando em como seria bom se ele nunca tivesse nascido Estaria agora no trabalho e não tendo que inventar uma desculpa para o chefe sobre o porquê de estar chegando atrasado.
Ele estava tão concentrado na ideia de o que tinha feito de tão ruim para que o filho fizesse isso com ele, que não percebeu no canto da boca do filho um sorriso estranho, nem notou o avanço da velocidade.
A mãe chegou ao lado da porta e bateu com o nó da mão na janela. O pai abriu o vidro com uma mão e com a outra procurou a mão do filho e apertou com força.
“Por que”, com os olhos injetados de sangue, com a boca espasmando rosa e as palavras tremulas. “Me desculpe”, balbuciou o pai, inseguro.
Não é suficiente. A voz da mãe saiu firme.
Com as mãos mais ágeis que sugeria para uma mulher, dona de casa, com corpo todo machucado pelo baque de um atropelamento em alta velocidade e que sofreu a perda recente do único filho, ela saca do cós do policial a arma, escora entre os olhos do pai, destrava e aperta o gatilho duas vezes.
O pai, quando se deu conta, já estava em alta velocidade no banco do passageiro, gritando novamente para o filho, baixar a música e reduzir a velocidade. Ele percebe pelo retrovisor que uma sirene os segue, até sentir um baque contra o carro. Quando o filho parou, trocou rapidamente de lugar com ele, o coração estava quase saindo pela boca e sua cabeça estava vazia, mas ele sentia que tudo mudava.
A mãe caminhou com a arma na mão até o ninho, se sentou e aninhou seu bebê nos braços, o beijou e atirou na própria cabeça.
O policial estava atônito, a mulher havia tomado sua arma, ela havia matado o motorista dentro da viatura e por mais que ele pedisse calma ela parecia não escutar, parecia que não estava ali. Ele tinha medo que ela atirasse nele, mas ela só caminhava, com a arma na mão direita pendendo ao lado do corpo.
O pai, antes da aproximação do policial, tinha visto o acidente, uma mulher e uma criança pareciam feridos desse angulo, mas seu filho era só um garoto e pediu para que ele não falasse nada. O policial demorou, porque parou para pedir reforço, socorro, alguma coisa pelo rádio.
O motorista viu o pai, morto, ele piscou os olhos e não estava mais aqui, de repente toda a onda de euforia que a droga, a bebida, as mulheres e a festa tinham sumido. Tudo agora era a grande realidade, com seu pai apoiado em seu ombro, a cabeça pendida. Morto pela mãe da criança que ele havia matado.
Diários XIII

Toda criatura pensante tem altos e baixos, até mesmo os brujhas que não são tão pensantes assim tem essas fases...
Acabei de sair de uma crise, um período vermelho pode-se assim dizer, meus olhos, todos eles, estavam costurados( não literalmente) com linhas de insanidade, levemente temperada com o ardor do sangue. Minha mãe como sempre, anjo de sensibilidade e satisfação, me guiou para fora das paredes que trancafiavam minha habilidade de raciocinar. Quantas mais deverei a ela? Um número impossível de calcular.
Hoje as vozes me disseram para caçar. Não algo para preencher a sede, mas algo pra acalmar a alma dessa amaldiçoada criatura que voz escreve.
Ergui-me ao anoitecer, com uma facilidade que me faltava nos meses anteriores, um objetivo me guiava na direção contraria a morada dos anjos... Sua voz me chamava, rouca e perdida, tão conhecida aos meus ouvidos aguçados, tão melodiosa quanto o cantar da harpia. E eu segui.
A cerca e a escuridão me separava do meu objeto de desejo.
Ele movia-se com desdém, como se as coisas não estivessem realmente ali, o seu dançar por entre os brinquedos do parque me deliciaram a alma. Tão desajeitado, com tanto pesar, com a alma tão rodopiante, eu o queria pra mim.
Os dedos moviam-se rapidamente a procura do cigarro, o desejo era tão profundo com era fácil visualizar nos seus olhos, a frustração do maço vazio e o arremesso furioso ao chão, como se dali brotasse magicamente pelo efeito ritualístico o dono do seu vício. O sorriso glorioso quando arremessei aos seus pés um maço lacrado idêntico ao que ele jogou no chão.. Como foi parar ali?Eu e ele perguntamos em um único som.
Sorrisos trocados, ele olha pra mim e vê uma vítima, tem pena. Ele vê uma mulher que provavelmente fugiu de sanatório, a explicação que seu cérebro imediatamente processa pela camisola rasgada e suja na qual me encontro. Eu olho pra ele e vejo uma vítima, tenho pena. Eu vejo um homem atormentado e perdido, minha alma imediatamente reconhece a dor de não se encontrar em lugar algum. Nos queremos nos salvar, é mútuo, ele se importa comigo, ao contrário de mim, não pode esconder o seu pesar. Dos seus olhos brotam lágrimas, agora percebo que não ouvi o som da sua voz, só leio em alto bom som a sua mente, ele não fala?
Me aproximo, ele também. Com calma, ambos com medo de assustar... Eu o amo profundamente.
Será que eu conseguiria machucá-lo? Agora não! Mãe!
Corro, ela me chama, deixei meu amor com a sensação de ter visto uma miragem, de ter sonhado, de estar piorando...Que pena!
Ela me chama, e eu não sou dona da minha vontade no momento. Corro como se minha vida dependesse disso, como se a dela dependesse disso.
Alvorecer.
Quando completei seis anos questionei a meu pai o porque de mamãe não estar com a gente, todos os meus colegas de escola possuíam uma mulher doce que lhes fazia o lanche da escola, lhes levava e buscava na escola, que esquentava o leite antes de coloca-los para dormir e que era chamada de mãe, mas na minha casa não havia mulheres, era só eu e o papai.Neste dia ele me falou que a mamãe era uma mulher malvada que havia me abandonado, lembro que chorei duas noites seguidas silenciosamente no meu travesseiro. Todos os terapeutas que conheci até hoje acreditam ser esse o motivo pelo qual sou tão rebelde, eu não. E você Drª?
A mulher negra de sobrancelhas arqueadas na minha frente somente sorri, faz uma anotação numa pequena caderneta e refaz a brilhante pergunta de sempre.
_ Como você se sente a respeito disso, Alvorada?
_ Sabe Drª, eu já estou quase me formando em psicologia, sabia?
_ Como?
_ Pela minha experiência de 5 anos em salas como essa vi que para receber esse diploma basta fazer caras e bocas, fingir que faz anotações, fingir que está escutando o paciente e repetir inúmeras vezes essa pergunta "Como você se sente ?"
Ela me observa, suspeito que falei demais, talvez 12 seja o numero máximo de profissionais da terapia que você pode aborrecer antes de ser mandada para o hospício ou o reformatório.
_ Desculpa Drª Gomes, estava tentando distrai-la, não se repetira. Prometo que serei uma boa garota agora.
_ A sessão acabou Alvorecer, até a próxima sexta. Espero que esteja mais aberta até la, assim poderei ajuda-la melhor, está bem?
_ Claro.
Dou meu sorriso de 1 milhão de dólares, aquele me tira das encrencas na diretoria para ela e saio do consultório, contando mentalmente a quantidade de meses, 78 meses e 2 semanas para me tornar legalmente capaz. É frustrante ter 11 anos por aqui.
_ Como foi a terapia querida?
Quem deveria ir para a terapia era você, seu gordo asqueroso com dupla personalidade.
_ Bem papai querido.
Sorria sua estupida ou ele lhe segurará aqui até o monstro aparecer. Aparentemente o sorriso funcionou. Sexta a noite é dia dele sair e eu terei uma noite minha.
_ Vou para o quarto estudar papai, tudo bem?
_ Vá meu anjo, papai vai dar uma saidinha, mas volto logo, ok?
_ Ok!
Entro no quarto me tranco antes do Monstro aparecer, pego o MP4 Lie- Korn explode pelos fones. Meu corpo está doendo aquele sinal de nascença na parte interna da minha coxa está vermelho, queimando parece uma lua de sangue e fogo. Minha cabeça está pesada, meus ossos parecem ter vida própria e uma vida a ser vivida fora do meu corpo, vão fazer uma festa e minhas carnes não foram convidadas, legal. Deve ser a tal da puberdade que está batendo na minha porta ou a terapeuta que me rebolou uma praga com o tal do “ estar mais aberta” e se tornou literal.
Que droga! A dor é tão grande. Está tudo tão borrado, errado, vermelho...
_ Ontem eu tive um sonho esquisito, estava enorme, tão viva quanto nunca tinha me sentindo nesses onze anos de vida, havia sangue e ele saía de mim, havia dor, mas isso só me deixava mais furiosa, e dava um onda de poder que levantava todos os meus pelos. Eu podia sentir o cheiro de bebida do mendigo da rua nove a quilômetros de distancia, podia ouvir o sussurro de todos os vizinhos do quarteirão, aquela menina mais velha do final da rua estava fazendo coisas com o namorado e eu sabia só pelo palpitar do seu coração.
Eu estava com tanta fome, um desejo gigantesco de carne, gigantesco... essa era a palavra certa, parecia que era maior que eu, parecia que nada poderia supri-lo, saí do quarto, quando atravessava o corredor em direção a cozinha dei de cara com meu reflexo no espelho do banheiro, mas não era eu, era um animal grande, de pelo escuro, com grandes músculos em lugares que eu nem sabia da existência, passei uma fração de segundo observando o grande animal, não mais que isso pois tinha alguém exigindo minha atenção, rugindo, era meu estomago.
Já havia consumido todos os bifes que estavam na geladeira e nada daquela fome bizarra passar, a essa altura sem perceber eu já estava salivando parada na porta de casa, presa dentro daquele corpo animal que não me pertencia farejando o mendigo da rua nove, caminhando movida pelas imagens de meus dentes no seu corpo imundo. Mas um cheiro familiar me tirou quebrou o transe da caçada, vinha da praça abandonada no final da cidade, a assombrada. Tomo impulso e me vejo correndo numa velocidade incrível, estou de quatro e corro como uma lebre, não, como uma loba, uma rastreadora.
Do outro lado da praça está um grande cachorro negro, pelo cheiro é uma fêmea e ela está chorando?cantando?uivando? Uma mistura perfeita de sentimentos e ela parece tão furiosa, perigosa quanto triste. Antes de poder alcança-la, toda aquela dor volta, olho para o céu e está tudo vermelho, acho que agora vou morrer, na praça abandonada vendo o nascer do sol mais bonito do mundo.
_ Então é isso Drª. É por esse motivo que eu pedi uma consulta de emergência , acho que estou tendo alucinações.
_ E você acordou na praça?
_ Não, em casa, mas tenho certeza que estava com minhas calças cargo militar marrom e minha camisa preta do Metallica só que acordei com o blusão de dormir e essa muda de roupa não estava em lugar nenhum.
_ Você provavelmente a tirou para lavar e devido a sua habitual falta de concentração não se lembra aonde colocou.
_ Deve ser.. Sonho meio louco , não é?
_ Talvez seja você se abrindo mais...
_ É... Talvez.
Eu já fui a muitas terapeutas, mas essa mulher tem um jeito estranho de me olhar, um brilho meio bizarro e dando uma olhada melhor ela não parece uma terapeuta.
Droga! Agora estou com mania de perseguição, acho que sou filha do velho maluco mesmo e essa coisa de paranoia delirante é mesmo hereditária. Não podia ter nascido numa família normal com pai, mãe, irmãos, ricos, bonitos e saudáveis para ter algo genético útil a ser herdado? Deus, você é um cara hilário. E vocês, pai doente mental e mãe vagabunda que me abandonou, são pessoas com um puta senso de humor, de onde tiraram registrar um pobre criança com o nome de Alvorecer? Nascer nesta família conturbada já me ajuda o suficiente a passar pela adolescência na escola pública sem muitos traumas.
Primeiro dia do ano letivo, sou adiantada, tenho um pai maluco, vou a terapia desde os seis anos, fui abandonada pela mãe antes de saber falar “gugu-dada” e tenho um nome bizarrinho. Isso já ajuda e muito na minha popularidade negativa, só que além disso , já vai fazer um ano que tenho apagões e conforme a minha agenda é sempre no período da primeira lua cheia. Me sinto vigiada e não é por aqueles garotos estúpidos da turma popular, é por olhos invisíveis que são mais rápidos em se esconder do que eu em identificar.
Minha vida familiar, pessoal, social e acadêmica está uma verdadeira merda e amanhã será meu decimo segundo aniversário e cairá bem na lua cheia, o comemorarei no consultório de Drª Gomes, espanquei com a cadeira um garoto metido a engraçado da 8ª série. Parabéns para você Alvorada!
Noite de lua cheia, estou decidida a parar com os apagões, eu já tenho doze anos, já estou grande o suficiente para me controlar, essas foram as palavras do Monstro ao me dar minha surra de aniversário.
Parece que o Monstro fica cada vez mais furioso comigo com o passar dos anos, o ouvi pensar alto, nem sabia que era capaz de tal proeza, ele me acha parecida com a mamãe, sussurrou algo como se fosse acabar de destruí-lo, terminar o serviço que ela começou. Nasceu uma certa empatia por essa mulher misteriosa que me “deu a luz”.
Já está tudo pronto, me tranquei no quarto com a filmadora ligada, tenho que descobri o que acontece antes que eu fique nua. Toda vez que apago perco uma muda de roupa.
Sonho de novo. Só que dessa vez eu gravei e vou ver o que acontecesse com as minhas roupas neste acesso de sonambulismo mensal.
_ Podemos ver que você tem um talento nato para o cinema querida Alv, estes efeitos são incríveis, a tecnologia faz mesmo coisas inacreditáveis, esses computadores, se eu tivesse a sua idade realmente me convenceria, sabe.
_ Não é efeito.
_ Você não me falou que tinha feito uma amiga, muito menos uma dessa idade.
_ Não fiz.
_ Então, quem é a mulher que a carrega no colo e lhe veste ao amanhecer? Uma atriz?
_ Não sei.
No dvd me contorço de dor como no sonho, mas eu cresço, pelos aparecem por todo o meu corpo, meu rosto toma uma aparência bestial, durante o crescimento minha roupa virá retalhos, pelo menos este mistério está resolvido. Saio pela janela e ao amanhecer uma mulher loira, vestida com um manto negro me traz nos braços nua, coberta de sangue, me limpa, aplica uma injeção na minha coxa e me veste com a velha camiseta de dormir. Ela olha para a câmera, sorri e os olhos são dos mais belos castanhos que já vi, tão parecidos com os meus, e tem um brilho tão familiar...
Sozinha

Do corpo físico já nada mais restava, estava presa em um mundo imaterial e denso, as carnes podres já haviam se desfeito a séculos passados, mas algum desejo ou missão não descoberta ainda prendia a sua não existência à existência dos demais.
Triste ver o mundo mover sem perceber que você não o move mais, triste ver pessoas que ama se reproduzirem, envelhecerem e morrerem sem ao menos saber que você está.
Para não perder a lucidez, o tino ou qualquer coisa que a mantivesse raciocinando, acompanhava o passar dos anos a evolução e os laços da família, tentava truques com os mais jovens, era amiga imaginária de muitos, ajudou com objetos perdidos escondidos por ela mesma. Tudo o que pode para se manter presente.
Hoje senta aqui e espera, a última de sua linhagem está terminalmente doente, os cabelos já não mais permanecem no lugar, os ossos já não mais se escondem pelas carnes, o vazio dos olhos já não tem mais nenhum brilho.
Serena, sua tetra- alguma coisa neta está deitada na maca do hospital, fitando no espelho a morte que se reproduz numa caricatura da própria face. Eu não vejo tristeza, não vejo dor, não vejo medo... Só uma grande espera, se pudesse ler pensamentos ouviria com certeza o contar dos minutos numa canção repetitiva com aquela voz tão doce, hoje emudecida.
Ela tinha sido sua amiga-descendente preferida. Curiosa e sempre atenta, aprenderá muito rápido e buscava sempre mais, foi a que a manteve junto até a adolescência, algo que nunca tinha acontecido desde que se lembrava de viva ou morta.
No dia 21 de Setembro de 2009 seus pais partiram numa viagem e como presente ela teve sua festa de 15 anos com a casa só pra ela, como qualquer adolescente o previsto era muita bagunça e baderna, mas a festa foi só nossa. Foi lindo! A casa foi coberta de rendas rosa pálido sua cor favorita e vermelho sangue a minha, assistimos filmes naquela máquina que ela se divertiu tanto a me ensinar o nome, o dvd, dançamos lago dos cisnes como na minha festa, ouvimos músicas que ela conhecia e que para mim parecia berros e uivos e sorrimos como não fazia em vida. Foi nosso último dia juntas, ela me culpou pela perda dos pais, acreditava que eu possuísse algum poder de reverter, prever ou eliminar coisas ruins.
Como eu queria, queria poder evitar verter daqueles olhos cinzas qualquer lágrima, recebemos as noticias do acidente antes da meia-noite, eu atendi a porta, todos estranham quando abro a porta, o policial ficou parecido com uma vela, rimos ás duas. Ele seguiu a risada de Serena e a encontrou saltando por trás do sofá em roupas de balé. No mínimo deve tê-la achado estranha, uma moça naqueles trajes, a segurou pela mão e em tom baixo a comunicou.
Ela seguiu para a viatura esbravejando e praguejando comigo ás lágrimas, mas eu não tenho culpa, nem daquilo nem do que a toma agora.
Essa doença traiçoeira que corroí seus órgãos por dentro e a faz definhar, ela nunca casou, ela nunca teve amigos, eu sei, a observei de perto de tão perto que poderia descrever o tom de seu cabelo durante o inverno e o verão, o cheiro de sua pele depois de sair da piscina por horas de nado a noite.
Tudo na vã esperança de ela me chamar, e agora aqui, contando os minutos para o fim de nossa família, eu choro, e sinto que ela pode ouvir meus soluços, mas ela não me vê, ela não quer mais me ver.
E ficarei aqui, sozinha e insana para sempre.
Uma visão interna.
Estou aqui, presa no abismo. Escuridão cerca e sufoca em todas as direções, é possível se movimentar através de suaves braçadas idênticas as da natação, aquelas que sempre me foram úteis para espairecer na piscina pública no final da rua. Hoje estou aqui, no meu auto intitulado inferno particular, meus irmãos de dor e sofrimento seguem por uma luz, já descobri pela experiência que a luz não é igual a salvação. Estou aqui por seguir uma luz, não serei eu que cairei nesse segundo golpe. Aos meus favoritos dou o conselho, mas os filhos da puta não seguiam conselhos nem quando eram vivos, dirá agora que são demônios, não que essa terminologia seja a apropriada para o caso, são só almas atormentadas e com feições apropriadas as violências, afinal daqui do nosso lado a carne já não cobre mais a podridão. Atire a primeira pedra quem nunca maculou sua alma com pré julgamentos, com desejos egoístas ou uma leve gota de orgulho? Negar isso também deixa marcas...
A maioria sobe guiada por um sede de vingança, por um desejo de violência, por razão que apesar de não serem conhecidas por mim, literalmente transparecem ao olhar, a luz é o reflexo da lua atravessando a água do poço, o poço usado como portal por algum humano bizarro e metódico que resolveu soltar as bestas do inferno na terra, e o pior que daqui a algumas horas, minutos ou segundos será meu vizinho, que maravilha. Tudo bem! Sou uma pessoa curiosa, não me arrancariam os olhos por uma espiadela, não é?
Ouço urros e tintilares de metal, os urros são palavras de rancor de alguns dos vizinhos, velhos conhecidos pela preferência de palavras depreciativas, os tintilares de metal são espadas retalhando a investida de meus irmãos, que inapropriado, os caras passam eras presos no mundo inferior e quando humanos presunçosos os convidam para uma festa particular, vem essa repressão... Ainda bem que não sou mais uma criatura de fúria, ainda bem que meus olhos não queimam mais e ainda bem que eu conheço alguém que pode equilibrar essa disparidade, afinal guiar alguém não é o mesmo que fazer, não é?
Esgueirando-me por entre a escuridão lamacenta, inalando com certa intimidade o odor de enxofre que já me segue desde tempos imemoriáveis, limitando o contato de minha pele apodrecida e escamada aos demais vizinhos, me aproximo de Simaleon, ele é o que todo mundo descreve como a besta, mas é um cara sensato, sempre faz o que indico para ele, é muito doce por sinal, gosta de presentear os amigos, e sempre os agrada com as cabeças decepadas dos inimigos ainda jorrando sangue quente para apaziguar a fome.
Simaleon está sentado no canto, ainda com trapos que apesar do tempo, lhe cobrem as “vergonhas”, o capuz ainda esconde sua face, da qual se envergonha por não ser desmazelada como as dos demais, aqui o feio é ser belo. Ele afia seu machado, amigo inseparável do bárbaro humano, é seu passatempo preferido, apesar de não ser possível observar seus olhos, sei que está sorrindo e mostro meus dentes, é o que as carnes apodrecidas que cobrem meu rosto deixam fazer mais próximo de um sorriso. Sussurro em seu ouvido as injustiças ocorridas lá fora, que seus irmãos sofrem nas mãos dos injustos e vejam só, uma faísca se ascende. Agora é só sentar e ter realmente o que observar... O que? Vocês achavam que eu estava no inferno inocente? Hahaha
A maioria sobe guiada por um sede de vingança, por um desejo de violência, por razão que apesar de não serem conhecidas por mim, literalmente transparecem ao olhar, a luz é o reflexo da lua atravessando a água do poço, o poço usado como portal por algum humano bizarro e metódico que resolveu soltar as bestas do inferno na terra, e o pior que daqui a algumas horas, minutos ou segundos será meu vizinho, que maravilha. Tudo bem! Sou uma pessoa curiosa, não me arrancariam os olhos por uma espiadela, não é?
Ouço urros e tintilares de metal, os urros são palavras de rancor de alguns dos vizinhos, velhos conhecidos pela preferência de palavras depreciativas, os tintilares de metal são espadas retalhando a investida de meus irmãos, que inapropriado, os caras passam eras presos no mundo inferior e quando humanos presunçosos os convidam para uma festa particular, vem essa repressão... Ainda bem que não sou mais uma criatura de fúria, ainda bem que meus olhos não queimam mais e ainda bem que eu conheço alguém que pode equilibrar essa disparidade, afinal guiar alguém não é o mesmo que fazer, não é?
Esgueirando-me por entre a escuridão lamacenta, inalando com certa intimidade o odor de enxofre que já me segue desde tempos imemoriáveis, limitando o contato de minha pele apodrecida e escamada aos demais vizinhos, me aproximo de Simaleon, ele é o que todo mundo descreve como a besta, mas é um cara sensato, sempre faz o que indico para ele, é muito doce por sinal, gosta de presentear os amigos, e sempre os agrada com as cabeças decepadas dos inimigos ainda jorrando sangue quente para apaziguar a fome.
Simaleon está sentado no canto, ainda com trapos que apesar do tempo, lhe cobrem as “vergonhas”, o capuz ainda esconde sua face, da qual se envergonha por não ser desmazelada como as dos demais, aqui o feio é ser belo. Ele afia seu machado, amigo inseparável do bárbaro humano, é seu passatempo preferido, apesar de não ser possível observar seus olhos, sei que está sorrindo e mostro meus dentes, é o que as carnes apodrecidas que cobrem meu rosto deixam fazer mais próximo de um sorriso. Sussurro em seu ouvido as injustiças ocorridas lá fora, que seus irmãos sofrem nas mãos dos injustos e vejam só, uma faísca se ascende. Agora é só sentar e ter realmente o que observar... O que? Vocês achavam que eu estava no inferno inocente? Hahaha
Sonhos...

Esse mundo precisa de heróis, as coisas estão se afunilando. Esse sempre foi o mantra de sua mãe no café da manhã, engraçado como todo dia ela repetia coisas sem sentido até parecer que era certo, suspeito que a verdade depende muito de quantas vezes e com que ênfase foi proferida. Sento-me na beira da cama, sou tão pequena que meus pés mal tocam no chão frio e rubro que na minha visão se torna mar... Sento-me e aprecio a vista das paredes rosadas do meu quarto, nunca gostei de rosa, sempre quis pintá-las de roxo e preto, mas nunca foi conveniente e a conveniência é a alma do negocio, me perco a admirar minha iniciais rasgadas na carne da parede, tudo é meu, é meu domínio e território e tudo posso aqui, mesmo com dez anos sou senhora e dona de tudo. Tão egoísta e egocêntrica esse projeto de gente perdida num mundo de fantasia. Nesses momentos o sonho se sobressaí a realidade, tudo é mais bonito no passado remoto, tudo é mais brilhante pois já passou e nada se pode mais. Ouço meu próprio soluço de medo e lágrimas no escuro do quarto, mas é de outra parte, é preso ao canto esquerdo próximo a porta, é de lá que outra eu mais velha e atordoada vê a menina e chora, dona de conhecimento que não compartilha e que machuca até de ver. Meus olhos se abrem no meio da noite, não está escuro, o meu mundo sempre precisa de luz e há uma tênue linha de brilho resguardando seu sonhar, não há nada a temer. Eu estou aqui pra o que for, cheia de medo e sustos, mas firme e forte, pronta para lutar. Até mesmo contra mim...
Diários XII

Sinto o calor, leve aconchegante, ele entra ignorando as barreiras, as paredes, as pedras, os véus. O calor entra decidido a dar um fim a existência do frio, eu o sinto mas meus sentidos obscurecidos ironicamente com a presença do astro rei no recinto não conseguem localizar a fonte.
Meu corpo treme e convulsiona como um mortal exposto no ártico. Meu coração gelado bate, eu suspiro, medo. Medo me toma e consome cada músculo do meu corpo, eles são como animais irracionais tomados de instinto e totalmente desvinculados da maquina central. Cada qual lutando pela própria sobrevivência, rs
O seu toque em minha alma é com um carinho materno, um consolo depois de uma briga, um abraço fraterno, um pedido de desculpas de alguém muito querido.
O cheiro de carne queimando e a dor lancinante não combinam com a alegria em minha mente, é como se fossem duas lembranças diferentes partilhadas pela mesma pessoa, a lembrança boa de alguém que já se foi e a agonia de não poder repeti-la, é o sorriso banhado com a mais pura lágrima.
Demoram-se minutos para findar uma existência de séculos, e o fogo solar apaga todas as maculas, todos os pecados e tudo fica santificado.
Quem foi o filho da puta que usou demência em mim? Eu não vou me jogar ao sol! Não vai ser dois pesadelozinhos de merda que vai me induzir a isso, tão OUVINDO!!! Eu já falei que eu sou louca, mas não sou BURRA!!!*espumando sangue*
_ Pode cair dentro.
Um conto de Antropofagia

O banquete está servido, taças, talhares e louças chinesas dispostos adequadamente, toalhas com rendas vermelho escarlate cobrem a mesa, todos os lenços de linho branco devidamente bordados com as iniciais da anfitriã.
Os convidados se aglomeram na entrada tentando antes de se aproximar identificar seu local devidamente mapeado, um desfile de glamour e beleza entre os corredores da mansão, moças e moços jovens, de famílias pomposas e tradicionais estão na lista, acompanhados de poderosos políticos da época.
Tudo está organizado da forma mais elegante, atraente e apetitosa possível, mas cadê a comida? Escuta-se como um sussurro de um dos convidados, os empregados acomodam, e deixam-nos mais confortáveis com drink's , tocado um suave música de fundo.
A anfitriã desce a escadaria num longo e justo vestido de veludo negro, decotado dos ombros até o final da coluna, calçada em sandálias delicadas com saltos ameaçadores de tão finos, é uma mulher chamariz, todos comentam sua entrada, as más línguas soltam um “viúva negra” entre dentes, nada que possa realmente denegrir uma imagem tão sólida da empresária bem sucedida em questão.
Nos lábios trás um batom carmim, nenhuma gota a mais de algo que precise para acentuar a beleza tão invejada, alguns dos mais jovens mancebos da festa apertam os lábios entre as presas até escorrer gotas finas de sangue, reprimindo os instintos naturais masculinos que não são bem vistos na alta sociedade.
Cumprimenta a todos com um sorriso medido, se senta na cabeceira e antes de dar-se inicio ao ritual alimentar propõe um brinde aos convidados pela imprescindível presença, é uma mestre na arte de alimentar egos, merecidos ou não, acena aos serviçais e começa a adentrar o recinto o mais variado e apreciado cardápio que a mente humana possa fazer comparação.
Uns com os outros entre garfadas e goles travam conversações com temas variados, sendo o central o enriquecimento da jovem viúva na cabeceira da mesa...
Helena completara hoje 38 anos, já é viúva por 3 maridos, todos acometidos de um súbito ataque do coração, ela faz mal ao coração masculino, já notará. Recebeu semana passada uma notícia que abalara sua tênue credibilidade no carácter humano, ela está sendo investigada por homicídio, toda a fortuna que ela acumulou ao longos dos anos por esforço próprio está sob restrição, os três maridos eram desprovidos de bens ao início do matrimonio, e mesmo assim a culpam pelas mortes, alegam por suas costas que a sua companhia é venenosa, todas as criaturas ao redor da mesa a odeiam profundamente, os homens pela desejo de possui-la e a impossibilidade em tal fato, e as mulheres pelo sucesso e independência. Todos que estão ali, hoje brindando ao seu aniversário sorriem satisfatoriamente com a eminência de sua ruína, talvez....
Quando recebeu a notícia decidiu que era forte demais para se abalar com a miséria, a cadeia ou a difamação pública, mas não iria dar o prazer de ser vista por baixo, não para esses abutres escandalosos que ruminam a sua frente, traçou durante as madrugadas sem sono um plano, sempre teve uma queda ao drama e ao suspense e decidiu o seu fim. Misturado a gama de temperos do banquete está um entorpecente e estimulante, algo que vai ativar o líbido reprimido de todas essas “pessoas”, algo que despertará um gosto ao bizarro.
Enquanto os convidados se saciam nas carnes exóticas e apimentadas com o alucinógeno ela se despe ritualisticamente, rasgando o fino vestido com uma adaga prateada da alça até a cauda que arrasta no chão, por baixo da veste nada além da tenra carne branca e rígida devido a plásticas, ração apropriada e a exercícios extenuantes, tudo na busca da imortalidade da carne. Hoje por ironia tudo que ela precisava é ter a carne macia, cobre suas vergonhas com frutas e temperos e se deita na mesa, o cozinheiro já instruído com antecedência começa o desmembramento da mestra, entre lágrimas, e serve a senhora conforme a sua vontade aos convidados, os olhos da mestra permanecem abertos, os lábios riscados com um fino sorriso, a dor não gera uma única ruga em sua face.
E os convidados a devoram com garfadas compulsivas e gargalham no delírio. Ela assim se despede da existência, deixando entranhada suas carnes dentro daqueles que a odeiam. Crime e castigo.
Diários XI

Caiu a noite, ela veio densa, misteriosa e repleta, como todos os dias. Ela veio e derramou seu véu, protegendo todas as criaturas que são manipuladoras e nocivas pelos caprichos da mãe natureza. Me cobrindo e despindo sob os raios da meia luz da lua, arrasto-me de meu buraco imundo nos esgotos da cidade, rastejo em meio aos ratos e subo à superfície, nem quando respirava gostava daqui, agora que já não possuo tal luxo, me sinto deslocado.
Mas o local onde o predador e caça devem coexistir é aqui, é onde eu alterno de lugar com o bobo e o cético e me misturo furiosamente na multidão, corpos pútridos se detém a minha frente, o homem é uma eterna caricatura de si mesmo, um palhaço pintando tentando chamar atenção, seus corpos e mentes estão destruídos por venenos encontrados em cada esquina, está cada vez difícil ter uma boa refeição, as vezes relativizo que é uma questão de auto preservação, eles se desvalorizam para sobreviverem, os mais velhos me julgam indulgente e supervalorizador da raça, talvez...
Ando por vários quarteirões, poucas primaveras, poucos invernos e almas bem velhas nas esquinas jogadas ao açoite do vento. Gosto de observar os olhares vazios, durante a noite todos se sentem só, todas as rizadas são estridentes, tudo não passa de uma competição de quem rir melhor.
Não me submeto aos mesmos julgamentos e juízes, minha relatividade é menos relativa, sou adepto da praticidade e esse é me território, sou o Senhor dessas terras e minha palavra é ordem e lei. Aqui é cheio de jovens que não selecionam a caça, mas aprenderam a limpar os próprios rastros, é minha função observar, julgar e punir, todos de minha família tem essa função, é nossa herança e assim será até que o mundo acabe e se reconstrua.
Hoje tenho uma ácida missão a cumprir, sob minha tutela ficará uma lunática, não gosto deles, se você não pensa, não teme, se não teme não tem limites, odeio quem não tem limites, eles cansam as eras de paciência que acumulei.
Mas dever é dever, ninguém quer saber se gosta ou não. Maria, lá vou eu, doce flor da primavera colhida entre as mais selvagens da especie, chega agora sua ultima chance, como se comportará diante da noite vindoura? Será que dentro dessa cabeça doente ainda tem alguma racionalidade? Torço que não, adoraria quebrar seu pescoço e esmagar seu coração, os jovens só servem de comida para os anciões.
Nightmares

Três da manhã, ela acorda com o gosto do sangue na boca... os olhos não se abrem no primeiro momento, é como se a onda do sono ainda mantivesse presa na terra da escuridão. Seu olfato ainda sente a presença maligna através do odor do suor forte, seus músculos ainda tremem da tensão.
Ordena ao próprio corpo acordar, mexer-se ajuda, sempre ajuda. Na mente a lembrança forte do homem que assaltou seus pesadelos, forte, bem vestido, nos lábios um sorriso perverso e torto, a voz rouca e firme e as intenções perigosas.
Se toca, verificando os machucados do sonhar, tudo não passou de um sonho ruim... É nessas horas que o colo materno faz mais falta, não tem a cama da mamãe para se proteger, não tem os braços macios e negros dos quais nenhum perigo no mundo poderiam capta-la.
A vulnerabilidade se deixa transcorrer com lágrimas volumosas, a sensação de perigo ainda está palpável, não quer mais dormir, não quer voltar para o mundo e sentir na pele aquela violência, o mundo real é cruel, mas o subconsciente é mais aterrorizador.
Ora, porque foi assim que aprendeu: _ Meu anjo da guarda, meu bom amiguinho, leve-me sempre pelo bom caminho.
A oração inocente, infantil lhe remete a tempos puros, onde o mal não assombrava sua mente, o coração aos poucos sossega, mas o sono, companheiro fiel, lhe nega acolhida, a solução é tomar um banho de aguá fria e limpar os odores e machucados da alma.
Boa noite!
Diários X

Eis-me aqui. Dilacerada pelas forças de minha soberba, jogada ao chão pelo peso da mão justa do mais velho do clã. Assumo diante de todas que meu maior pecado foi amar a humanidade, e me ater as sua lei e sua dor. Perdoa-me mãe por ser assim, tão menina, tão ligada a dor alheia, mesmo que essa dor cause em mim dores piores.
Se tiver outra chance farei diferente, negarei a todos os meus reprimidos desejos de enaltecer aqueles que me servem de alimento.
E me afastarei das bestas uivantes, e dos caminhos das fadas. Me tornarei uma filha melhor, me dê só mais uma chance...
_ Ela terá sua vingança suas criaturas vis e amaldiçoadas! Nos nos banharemos com seu sangue, e faremos desenhos profanos sobre as suas insignificantes existências
Diários IX

Quando dei por mim estava no meio da chuva, despida de motivos, correndo. Como se a minha vida dependesse disso, como se a sua vida dependesse disso. Sem saber o porque continuei, com uma presença respirando em minhas costas, com o frio gélido do ser imortal, somado a chuva no meio da madrugada gelada mais um medo de perder, algo que nem sei o que.
Não saber é a pior coisa, entendo agora como se sentem os outros quando falo algo. Eles simplesmente não conseguem acompanhar, é como se estivem numa corrida e só conseguem ouvir o apanhado final. E aqui estou correndo, tremendo, a olhos vistos, como pode? Por que não me esconder?
Estou enjoada, uma sensação que possui quando mortal, minhas pálpebras doem, como se tivessem sido descoladas, descosturadas, des alguma coisa que cause dor. Enquanto corro, sem vontade ou desejo algum de parar, percebo meus pés, em carne viva, deixando rastros de sangue para quem quiser me seguir.
Como uma estrada de mine tijolos vermelhos, com pés pequeninos gravados no caminho. Acho que como algo que não fez bem, algo ou alguém... Se eu lembrasse dos meus... das minhas... se eu pelo menos lembrasse de mim. Eu era alguém até algum tempo atrás, como pode do nada ser ninguém.
Desejo algo. Não sei bem o que? Alguém precisa de mim. Quem? Estou perdida no espaço e no tempo, e o sol já vai nascer. Será que isso é importante? Ou não.
Diários VIII

Quando eu conheci Alice, ela estava quebrada em um beco imundo, os olhos parados no vazio. O que me levou a ela? O cheiro de sangue, suor, veneno de homens sujos e o cheiro do terror. Eu desci de minha torre e caminhei como faço sempre, por toda parte, por todo o tempo... Escondida de pessoas e outras coisas pelo manto, o manto que apaga a vontade das pessoas e coisas me verem. O cheiro dela me chamou a atenção, no primeiro momento foi a fome que a viu, parada, frágil e suculenta...
Mas sua falta de reação, domou meu coração não latente. Sondei se a paralisia era o corpo morrendo ou se foi a alma esvaindo-se. Lamentável, o corpo eu podia curar. A peguei pra mim ( minha mãe fala que sempre trago pra casa após meus passeios animais feridos, tenho que concordar, rs).
Com o cuidado que minha mãe tem comigo, a banhei, a limpei, a vesti. Tentei acalmar o vazio, tentei preenche-lo, mas o que quer que tenham feito com Alice, foi definitivo. Ela se quebrou, não dá pra concertar. Mas todos nos não somos quebrados e vazios? Alimentei-a com meu sangue,ela não oferece resistência a nada. Virou meu hooby preferido, cuidar de minha boneca Alice, enquanto a mimava eu vasculhava sua mente torpe, tentando toda noite raspar o muro que ela colocou. Abrindo buracos cada vez mais espaços para me lançar dentro do espaço oculto de seu trauma. Salubre seria útil num tempo assim... Após inúmeras noites, a falta de tédio não me permite conta-las, começo a vislumbrar o motivo de tanta privação. Ela foi violada, humilhada e torturada por criaturas que se julgam humanas... tsc tsc Eu sempre falo que sou mais humana que muito ser humano por aí, mas enfim... Descobri o motivo, visualizei os rostos monstruosos, agora vamos trabalhar na cura rs ( estou me sentindo tão importante).
Atrairei os malditos, usando o rosto de Alice, enquanto isso lhe fornecerei as armas da cura. ( não mamãe não é vingança, ela só precisa trabalhar e enfrentar os próprios traumas)
Acho que armas brancas são mais assustadoras que armas de fogo, não? Tome essa espada Alice, dará um certo ar malicioso no seu caminhar, dará um ênfase na sua entrada, eles lhe esperarão no mesmo lugar e caberá a você proporcionar o mesmo horror que eles lhe causaram ou pior, depende de sua imaginação.
Por via das dúvidas tome cá umas idéias.
Diários VII
E estava eu lá, a duas, três, quatro, cinco, seis, sete... Opa! Sinto que o sol vai nascer e minha vigília vai ser interrompida. Lobo covarde, deve ter sentido meu cheiro e permaneceu aí, escondido, rodeado de amigos, protegido pelas regras da casa.
Mas porque um lobo grande e poderoso teria medo de uma menina? Hehe
Minha mãe nada ficará satisfeita se eu perder o rastro, e por qualquer motivo a caçada que me foi dada seja perdida, ainda bem que será de minha escolha o castigo. Como fazer?
Hummm... você é uma voz muito útil, vamos conversar...
Sabá! ( sussurra a maliciosa voz na minha cabeça) Atraia os sabás, o Toreador ficará entretido, os lobos seriam atraídos e tudo, mas tudo ficaria mais divertido.
Mas... e se minha mãe adivinhar?
Não se preocupe, gostosas gargalhadas seriam desprendidas daqueles lábios finos
Será?
Antes do nascer do sol, sigo para a torre, encaro o espelho velho e rachado que fica na passagem do meu túmulo, desenho em sangue os nomes e runas certas e tudo pronto. Amanhã os irmãos do meu sangue da seita rival estarão na cidade dando o ar da graça, e com muita graça. Imagine que do asilo penitenciário mais perigoso fossem soltos os 10 mais, pois aí multiplique essa insanidade por mil e terá a ideia de como é um malkavian anti-tribo. Eles são assim meio desregrados, mas com ou sem regras somos um. Uma grande rede de ligação que escuta e ajuda, na medida do possível uns aos outros, não somos individualistas como os outros, somos a definição mais próxima de família dentro dos vampiros.
Na noite seguinte ao longe podia ver a fumaça no território lupino, uns e outros sendo perseguidos por agulhas de prata fantasmas ( hey isso é legal), o xerife e os lacaios fieis do príncipe desesperados na tentativa de manter a máscara, na TV de que nada nem ninguém escapa, os noticiários divulgam uma contaminação por gases venenosos, aparentemente um atentado terrorista. E na corte... a corte esta bem cortada no momento.
Todos estão preocupados com os monstros demoníacos, e adivinha quem vem vindo pra jantar? O babau do mal, Sr Domint, cônjuge sobrenatural da Senhora do Abismo, vem alegre e sorridente achando que vai pegar vampiros e usar suas presas como troféu e engrandecer seu posto diante do povo da lua, ledo engano.
Ele é muito prepotente, seu ponto fraco é andar só ao contrário dos outros, avança na avenida com sua moto potente, reflexo obvio de complexo de inferioridade rs. Foco minha voz em sua mente, forço minha vontade a sua, retrocedo em sua mente os seus maiores medos, relembro quando era puro e honrado, o que dói mais quando se é um poderoso vilão? Perder o poder? Ou perder a maldade, ganhando em retorno a culpa?
Desejo profundamente e com o dom de Malkavin, lhe concedo a maldição de sentir, cada morte, cada sofrimento, cada carnificina comandada e executada por ele. Nossa! O grande lobo negro caí de quatro no chão, fica na forma lupina e uiva dolorosamente com o rabo entre as pernas pro céu. Se entendesse a língua dos homens lobos diria que ele pede perdão a Gaia, mas é claro que não entendo, não é?
Sim! Mãe! Estou aqui, estou bem? Sabá? Não eu não tenho nada haver com isso, é claro. Quanto a missão? Ela já foi concluída com um golpe de sorte, mais uma vez os anjos sorriram para mim.
Mas porque um lobo grande e poderoso teria medo de uma menina? Hehe
Minha mãe nada ficará satisfeita se eu perder o rastro, e por qualquer motivo a caçada que me foi dada seja perdida, ainda bem que será de minha escolha o castigo. Como fazer?
Hummm... você é uma voz muito útil, vamos conversar...
Sabá! ( sussurra a maliciosa voz na minha cabeça) Atraia os sabás, o Toreador ficará entretido, os lobos seriam atraídos e tudo, mas tudo ficaria mais divertido.
Mas... e se minha mãe adivinhar?
Não se preocupe, gostosas gargalhadas seriam desprendidas daqueles lábios finos
Será?
Antes do nascer do sol, sigo para a torre, encaro o espelho velho e rachado que fica na passagem do meu túmulo, desenho em sangue os nomes e runas certas e tudo pronto. Amanhã os irmãos do meu sangue da seita rival estarão na cidade dando o ar da graça, e com muita graça. Imagine que do asilo penitenciário mais perigoso fossem soltos os 10 mais, pois aí multiplique essa insanidade por mil e terá a ideia de como é um malkavian anti-tribo. Eles são assim meio desregrados, mas com ou sem regras somos um. Uma grande rede de ligação que escuta e ajuda, na medida do possível uns aos outros, não somos individualistas como os outros, somos a definição mais próxima de família dentro dos vampiros.
Na noite seguinte ao longe podia ver a fumaça no território lupino, uns e outros sendo perseguidos por agulhas de prata fantasmas ( hey isso é legal), o xerife e os lacaios fieis do príncipe desesperados na tentativa de manter a máscara, na TV de que nada nem ninguém escapa, os noticiários divulgam uma contaminação por gases venenosos, aparentemente um atentado terrorista. E na corte... a corte esta bem cortada no momento.
Todos estão preocupados com os monstros demoníacos, e adivinha quem vem vindo pra jantar? O babau do mal, Sr Domint, cônjuge sobrenatural da Senhora do Abismo, vem alegre e sorridente achando que vai pegar vampiros e usar suas presas como troféu e engrandecer seu posto diante do povo da lua, ledo engano.
Ele é muito prepotente, seu ponto fraco é andar só ao contrário dos outros, avança na avenida com sua moto potente, reflexo obvio de complexo de inferioridade rs. Foco minha voz em sua mente, forço minha vontade a sua, retrocedo em sua mente os seus maiores medos, relembro quando era puro e honrado, o que dói mais quando se é um poderoso vilão? Perder o poder? Ou perder a maldade, ganhando em retorno a culpa?
Desejo profundamente e com o dom de Malkavin, lhe concedo a maldição de sentir, cada morte, cada sofrimento, cada carnificina comandada e executada por ele. Nossa! O grande lobo negro caí de quatro no chão, fica na forma lupina e uiva dolorosamente com o rabo entre as pernas pro céu. Se entendesse a língua dos homens lobos diria que ele pede perdão a Gaia, mas é claro que não entendo, não é?
Sim! Mãe! Estou aqui, estou bem? Sabá? Não eu não tenho nada haver com isso, é claro. Quanto a missão? Ela já foi concluída com um golpe de sorte, mais uma vez os anjos sorriram para mim.
Diários VI

Toda história boa começa a noite, durante uma pane elétrica decorrida de tempestades com raios. É um cenário bom para filmes de terror e contos macabros, eu sempre gostei destes gêneros. Hoje quando acordei meu refugio era iluminado somente por esses raios, não era noite alta até então, meu comportamento correto segundo minha senhora/criadora/genitora/mãe/irmã/mentora me permite acordar mais cedo que os outros companheiros do sangue, logo que Helios se recolhe diariamente meus olhos se abrem e caio de cara na água gelada do mundo real. Hoje no entanto levou mais de 30 segundos para me situar. É dia? Ou é noite? A luz rápida invadia, mostrava as garras e se afastava deixando a melancolia da escuridão devastando os resquícios de brilho.
Levantei-me assim que a desorientação me abandonou, ( voz:- Então para sempre você se mantém deitada) essa voz é tão engraçada. Haha Enfim, me dispus em direção a torre, a vista de lá da cidade é única, é mágica, é completa, é minha. Tudo estava coberto pela noite, em massa com sua total e absoluta magnitude, as luzes artificiais não tinham vez hoje, talvez fosse o tal do fim de mundo, busquei com minha alma os dons do sangue, curiosa como sempre quis observar tudo mais a fundo, tudo que meus olhos físicos não podem traduzir. Olhar e quase tocar as almas e as tênues sensações que passam desapercebido antes da mudança, antes de tudo.
Gosto de me perder aqui em cima noites seguidas com sensação que os anjos me protegem e guiam, tentando fazer valer a vontade dos menos favorecidos, ou talvez por pura birra com os mais poderosos, mostrar que até mesmo crianças com poder, são poderosas e não são só eles. Avisar que estou rondando e protegendo, causando medo e pânico, contagiando com minha visão os que se julgam imunes e perfeitos, não é por maldade, entenda bem, é porque é o melhor para eles.
Quando minha mãe me matou, ela não o fez por ódio, foi por amor. Um amor tão profundo e complexo que só puder percebe-lo através da morte. E agora eu o concebo como um dom a uns poucos escolhidos. Hoje, devido ao clima e a adorável coincidência de noite profunda, procurarei um servo dos inescrupulosos Lasombras, aqueles que os serve desde os tempos antigos, e que se julga injulgável.
Domit, servo de Helena do Abismo, lobisomem do clã dos Senhores das Sombras, traidor de Gaia, cônjuge sobrenatural da Senhora do Abismo, dona de beleza, poder e crueldade dignas de envergonhar Lilith. Ela já foi visitada pela família para que sentisse nos ossos que somos todos ligações do mesmo ser amaldiçoado e que a criação e destruição de outros só se dá pelo mais velho de cada família. Ela, bem ela aprendeu sua suave lição.
Ele... bem ele, foi decidido que a criança mais nova de minha mãe teria a honra de julga-lo. Olho por olho e dente por dente. Bem não sou uma poderosa criatura de 3 metros de altura e coberta por pelos cinzas que os delicado contato com as garras pode causar a destruição final, não eu não sou. Ainda não. Hehe
Salto do alto de minha torre, como me foi ensinado pelo anarquista Joseph, pulo e caio com a graça de um felino, deixando de leve as marcas das pontas de meus pés na terra batida do chão da igreja. Sorrio e peço a benção divina dos céus onde mesmo com o dom não consigo visualizar meus fortes protetores, mesmo que não veja, sei que estão lá. Não haveria outra justificava, não é?
Corro invisível aos olhos por entre as pessoas na direção do The Circus, uma boate conhecida de uma misteriosa criatura do sexo feminino com conhecimento demais para ser questionada. Eu ouvi que ele estaria lá, como um desafio aos que o procuram. Ele não é exatamente o cara mais popular do mundo, e mesmo entre os cruéis existem poucos que o auxiliam, seja por medo ou por respeito. A boate como sempre está lotada, mortais, vampiros, magos, fadas ( sim, aquilo alí no canto é uma FADA, acredite se quiser) e diversas criaturas que teoricamente não deveriam existir. O halloween chegou mais cedo. As pernas e garras da dona parecem estar em todo o lugar garantindo a “paz” tênue que seria impossível em qualquer outro lugar. Aqui é território neutro, nada pode ser feito a ninguém que não seja pela dona. Ouve-se histórias de que o príncipe da cidade quís garantir sua autoridade aqui e seus cabelos caíram, sua face foi coberta de pústulas e seu sangue não mais garantia a fidelidade dos súditos, pobre Toreador, que foi prontamente auxiliado pela dona com suas cantigas de ninar e sanado de todas as “moléstias” que sofria misteriosamente. Essa é uma mulher com senso de humor, é inegável. E eu, como gosto de meus cabelos, não que isso tenha relevância, não causaria nenhum desagrado. Tenho toda a eternidade para esperar meu lobo malvado sair.
Revisão ortográfica By: Dope
Diários V

Quando estiver parada em uma esquina e vir alguma movimentação estranha, não vá olhar o que é. Se você teimar e perceber que é uma mulher/criança/ idoso/ deficiente/ ou qualquer coisa que seja frágil não banque o herói, não se meta, é sério.
Eu tinha só algumas luas de nascida, tinha aprendido recentemente a caçar, estava cheia, porém entediada, se você é imortal, tudo é tedioso, é a tão falada maldição. Tem ambição de conquistar o mundo? Não! Eu sou normal e preguiçosa. Tem remorso por ser uma criatura que só sobrevive bebendo o sangue de seres vivos e deseja se redimir? Não! Eu sou normal e bem resolvida com minha besta. Tem sede de sangue implacável e acha que todos os mortais são sacos de sangue? Não! Eu sou normal e educada, obrigada. Acha que está sendo controlada por vampiros mais velhos e tenta desesperadamente fugir disso e tomar suas próprias decisões? Não! Estou cagando e andando se me controlam ou não. Então amigo, você está no mesmo mar de tédio absoluto e marasmo que eu. Só se levanta do sarcófago para beber sangue e ver do alto dos prédios a vida fluir... Pois mantenham-se assim, é saudável e de fácil manutenção, não sejam curiosos e metidos.
A CURIOSIDADE MATOU O GATO!!!
Pois bem... dou esse conselho de graça, mas aprendi na marra.
Estava eu me balançando no alto de meu refúgio ( a torre guardada pelos anjos) e um alvoroço de choro, tiros e gritos me despertou. Em primeiro momento eu ignorei, até a merda dos meus sentidos aguçados ( aí, minha mãe me bateu) identificarem no meio da gritaria o choro de um menino, deveria ter o que? Uns seis, sete anos... E eu tenho o coração mole, enfim...
Desci e fui lá, bancar a defensora dos fracos e oprimidos, a vampira com complexo de cavaleiro branco, a malkaviana mais bocó de todos os tempos... Porque grande Malkavian, eu não estranhei o fato de perseguirem uma criança com armas de fogo e espadas de prata? Porque raios eu entrei na briga sem nem avaliar a situação? Eu sou louca, mas não burra. ( é mamãe as vezes é sinônimo)
Me concentrei no sangue e arranquei o coração do homem que estava com a arma maior, a recuperando. ( como se usa isso mesmo?) Apontei aquela coisa, com o cano quente para a testa do que estava com o garoto nas mãos, depois para o que estava com a espada. Olha! Deus protege mesmo, os loucos e os bêbados, foi tudo tão rápido que eles chegaram ao céu sem saber como. Rs
Mas por todo o conhecimento que o sangue amaldiçoado de Caim me trouxe, eu só fui cair na real do motivo daquele menino estar sendo caçado quando meu ventre foi transpassado pelas garras do monstrinho, lobisomens não eram para se transformar só quando adolescentes? Tenho que pesquisar mais...
Eu não matei aquele filhote, eu sou louca por filhotes, dei a ele um pouco do dom do sangue e o levei para casa, estou de castigo por isso.
Não trarás dos da lua a tua vizinhança.
Eu já aprendi a lição, voz estúpida. ¬¬'
Diários IV

Um dia minha mãe me levou para conhecer os outros. Eu desci aquela escadaria enorme e tentei ao máximo que controlar, eram pessoas importantes, eram a ligação em sangue, meu elo com o mundo material e imaterial, real e insano, eram os reflexos no amplo espelho dilacerado. E me vesti, pus aquele vestidinho vermelho com o laço na cintura, aquele que mamãe diz que fico com carinha de princesa... tinha que causar boa impressão.
Desci quase correndo, se meu coração ainda batesse, seria audível, já faziam alguns invernos e eu seria apresentada a toda a família, já tinha ouvido grandes nome... alguns bons como Anatole e outros nem tanto como Ankol, mas o que me fazia sentir o frio na barriga dos mortais era o meu predecessor, minha mãe antes de mim tinha um filho preferido. O Coisa.
Eu queria ser amada por ele. Não me perguntem o porque, mas eu queria muito, mamãe dizia que ele era especial. - Mamãe como é o Coisa? - Adorável, querida. E eu queria ser amada assim por ele.
Me mirei no espelho mais uma vez, aquele que tem no meio da escada, aprumei o laço no topo na cabeça, desamassei as pregas do vestidinho, calcei minhas pantufas de coelho e me senti a garota mais bela da festa. Antes de descer vi muitas pessoas, algumas muito bem vestidas, outras nem tanto, alguns com aparência de sábios, outras não, alguns com olhos de vítimas e outras com olhos de predadores.
Olhei mamãe no canto com duas criaturas semi rastejantes, bebendo de sua mão, juro, fiquei com ciúmes, mas ela é ela e faz o que quer e quando quer, por uma fração de segundo imaginei eles se contorcendo nas chamas, mas anulei o pensamento feio e mesquinho. Enquanto observava ao redor vi um homem grande, maior do que todos que já vi, ele se escorava num canto e falava com uma coisa, um objeto que brilhava, a voz era doce e bela.
Alfred, não gosta daqueles bichos perto da Senhora. Alfred, quer usar o fio de aço neles, eles querem sujar o sangue da Senhora.
O dono da voz olhava para mamãe e para o … machado? Céus, quem deixaria um louco, numa reunião de loucos, armado? Só mesmo um louco... tsc tsc ( Desculpem o trocadilho hehe)
A voz dele entrava na minha cabeça sem eu mesmo querer, a voz dele era um pedaço de mim. Me aproximei, atrevidamente e toquei na sua mão, não sabia o porque, mas era disso que ele precisava, do meu toque.
Alfred, sabe que a Senhora sabe se cuidar, e que ela ama igualmente todos do sangue, e mais só um pouco os que descendem diretamente dela, não é, meu irmão?
Eu e ele sabíamos, como se fossemos peças de quebra-cabeças que nos uníamos, eterna e longamente.
Diários III

Lembra quando me falou a 1ª vez da sede? Do monstro bonito e voraz que existe dentro de cada um de nos? De como sucumbir a ele e se manter dentro das linhas aliadas?
Oferece a tua besta apenas os iguais, os vilões, os desonestos, os desonrados, os cruéis, os violentos, aqueles dentre os homens que não se assemelham aos homens, aqueles dentre os homens que mais se pareçam com animais, assim os homens não olharam para a sua sede e se a verem tentaram ignora-la. Use da maldição como desculpa para tornar o mundo melhor, para que ele seja uma casa segura para as crianças, os velhos e os indefesos. Cuide dos inocentes e eles cuidaram de você.
Aí a Srª soube de um caso, umas moças que estavam sumindo no bairro, de um homem realmente malvado. Ele estava roubando a inocência de várias, torturava e as destroçava. Ele era a personificação do ruim, do mal verdadeiro, não era como eu e você mãe, que lutamos para domar os demônios, ele havia se entregado e fazia oferendas de almas puras e jovens, tão jovens...
Eu sabia que era errado, e a Srª me encarregou de saciar minha sede com aquele verme imundo. Tanta raiva, tanto ódio, eu queria destroça-lo: - Cuidado! A voz na minha cabeça sempre sabe o que fazer, ter cuidado na caçada. - Observe e siga. Eu o segui, mas nem precisava, com os dons do sangue eu poderia encontra-lo do outro lado da cidade, porque nunca percebi antes?
Era um homem velho, mancava da perna direita e quando se aproximava sempre fazia um toc-toc do bater da bengala no calçamento, andava com um sorriso bondoso nas ruas, cumprimentando educadamente todos. Mas eu podia ver o tremular de maldade nele, isso me deixava L-I-T-E-R-A-L-M-E-N-T-E vermelha de raiva, como as pessoas podiam se enganar? Lamentável tsc tsc...
Eu o segui com cautela até a sua casa, era uma amarela com um jardim florido, o miserável tinha mais cuidados com as rosas que com todas as meninas que jaziam ali em baixo. Ira! Fúria! Raiva! Ódio! - Fique calma, você alimentará a besta em minutos.
Foi duro, mas resisti a vontade de estraçalhar o velho homem ali mesmo e de molhar com seu sangue as rosas, é uma ideia a guardar rs
Ele entrou, eu também. Ele desceu ao porão, vestiu uma roupa de plástico que cobria todo o corpo e uma máscara, se dirigiu para a menina negra amarrada como um cão. Eu vi, ele não. Ela era só uma pálida lembrança, sem dentes, com os cabelos raspados, com as unhas arrancadas, enrolada como um feto tentando segurar a parte de dentro, dentro. Ela não chorava, mas tinha dor em seus olhos presa... em choque.
Juro, meus amigos anjos, eu não consegui. A minha visão ficou vermelha, era o sangue rolando em lágrimas, explodiu, tudo que tinha dentro de mim pegou fogo, eu aniquilei tudo, a maldade do velho se dizimou em várias migalhas, a dor da menina se foi. Tudo que restou foram poças de sangue.
E minha mãe disse que eu sou uma boa menina. Eu sempre acredito nela.
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