Estou aqui, presa no abismo. Escuridão cerca e sufoca em todas as direções, é possível se movimentar através de suaves braçadas idênticas as da natação, aquelas que sempre me foram úteis para espairecer na piscina pública no final da rua. Hoje estou aqui, no meu auto intitulado inferno particular, meus irmãos de dor e sofrimento seguem por uma luz, já descobri pela experiência que a luz não é igual a salvação. Estou aqui por seguir uma luz, não serei eu que cairei nesse segundo golpe. Aos meus favoritos dou o conselho, mas os filhos da puta não seguiam conselhos nem quando eram vivos, dirá agora que são demônios, não que essa terminologia seja a apropriada para o caso, são só almas atormentadas e com feições apropriadas as violências, afinal daqui do nosso lado a carne já não cobre mais a podridão. Atire a primeira pedra quem nunca maculou sua alma com pré julgamentos, com desejos egoístas ou uma leve gota de orgulho? Negar isso também deixa marcas...
A maioria sobe guiada por um sede de vingança, por um desejo de violência, por razão que apesar de não serem conhecidas por mim, literalmente transparecem ao olhar, a luz é o reflexo da lua atravessando a água do poço, o poço usado como portal por algum humano bizarro e metódico que resolveu soltar as bestas do inferno na terra, e o pior que daqui a algumas horas, minutos ou segundos será meu vizinho, que maravilha. Tudo bem! Sou uma pessoa curiosa, não me arrancariam os olhos por uma espiadela, não é?
Ouço urros e tintilares de metal, os urros são palavras de rancor de alguns dos vizinhos, velhos conhecidos pela preferência de palavras depreciativas, os tintilares de metal são espadas retalhando a investida de meus irmãos, que inapropriado, os caras passam eras presos no mundo inferior e quando humanos presunçosos os convidam para uma festa particular, vem essa repressão... Ainda bem que não sou mais uma criatura de fúria, ainda bem que meus olhos não queimam mais e ainda bem que eu conheço alguém que pode equilibrar essa disparidade, afinal guiar alguém não é o mesmo que fazer, não é?
Esgueirando-me por entre a escuridão lamacenta, inalando com certa intimidade o odor de enxofre que já me segue desde tempos imemoriáveis, limitando o contato de minha pele apodrecida e escamada aos demais vizinhos, me aproximo de Simaleon, ele é o que todo mundo descreve como a besta, mas é um cara sensato, sempre faz o que indico para ele, é muito doce por sinal, gosta de presentear os amigos, e sempre os agrada com as cabeças decepadas dos inimigos ainda jorrando sangue quente para apaziguar a fome.
Simaleon está sentado no canto, ainda com trapos que apesar do tempo, lhe cobrem as “vergonhas”, o capuz ainda esconde sua face, da qual se envergonha por não ser desmazelada como as dos demais, aqui o feio é ser belo. Ele afia seu machado, amigo inseparável do bárbaro humano, é seu passatempo preferido, apesar de não ser possível observar seus olhos, sei que está sorrindo e mostro meus dentes, é o que as carnes apodrecidas que cobrem meu rosto deixam fazer mais próximo de um sorriso. Sussurro em seu ouvido as injustiças ocorridas lá fora, que seus irmãos sofrem nas mãos dos injustos e vejam só, uma faísca se ascende. Agora é só sentar e ter realmente o que observar... O que? Vocês achavam que eu estava no inferno inocente? Hahaha
Um comentário:
Oiiee...!
vim te dizer que tem um Selinho pro'ce no meu blog tá!?
um beiijo minha Lindaa :*
*-*
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